o Seminário sobre Agrotóxicos pretende discutir os processos de trabalho e suas relações com o ambiente e a saúde do trabalhador.

Entre os assuntos que serão abordados nas palestras estão o impacto dos agrotóxicos no ambiente e na saúde e na mesa de debate estarão presentes orgãos do estado e do setor privado responsáveis pela fiscalização, controle e uso de agrotóxicos.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2006, setenta mil pessoas morrem no Brasil por intoxicação por agrotóxicos. No mundo, são 3 milhões. As substâncias químicas presentes nos agrotóxicos provocam desde rinites e distúrbios de comportamento, até alterações neurológicas (dificuldade de aprendizagem, retardo mental) e mutagênicas que podem provocar cânceres e anencefalias (bebês sem cérebro), entre outras. Os sintomas da intoxicação são comuns a outras doenças, como dores de cabeça, cansaço, cãimbras, diarréias, depressão, etc., o que dificulta o diagnóstico pela intoxicação crônica e mesmo a aguda.

Venha participar desta discusão tão importante para a defesa da soberania alimentar, do ambiente e da saúde da população!!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Noticias sobre a soja transgênica

12:59 UK, 5th October 2010, by Agrimoney.com

Brasil batalha contra a disseminação da "doença da soja louca"

Você já ouviu falar da doença da vaca louca?

Agora "a soja louca", preocupa agricultores e cientistas no Brasil, onde provoca perdas de produtividade de até 40%, e está se expandindo para fora de seu reduto no norte do país. E, como seu xará de bovinos, é incurável.


Na verdade, a sua crescente ocorrência no estado de Mato Grosso, que produz quase 30% da safra de soja do Brasil, "trouxe esta questão para o primeiro plano", segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.


"Nos últimos anos, a anomalia tem afetado a soja em regiões quentes do norte de forma crescente e esporádica, mas agora se estende a mais regiões temperadas do sul, com crescente aumento na prevalência global", disseram eles.

"Nenhum tratamento '

A doença é "manifestada por meio de um interminável ciclo vegetativo", significando que a maturação das plantas infectadas é retardada. Normalmente, elas produzem vagens com menos grãos e deformados.

Esta é de fato a segunda doença da soja louca a identificada, após uma doença anterior que causou sintomas semelhantes, causada por insetos cargo, e agora está sob controle.

No entanto, enquanto os cientistas acreditam que a doença da soja louca 2, como é conhecido no Brasil, está possivelmente ligada aos ácaros que se proliferam em sistemas de plantio direto, mas isto não foi comprovada e "não há nenhum tratamento eficaz conhecido," segundo a USDA.

Atualizado em 18/02/2010 16:16

EXCLUSIVO: Anomalia conhecida como Soja Louca II colabora para o avanço da ferrugem

Soja Louca II, uma anomalia que atinge a soja com mais força no centro-oeste, permite o avanço da ferrugem e causa mais prejuízos aos produtores.

Outro problema tem atingido as lavouras de soja, é a Soja Louca II. Trata-se de uma anomalia – não é uma doença, pois não se pode definir a causa ainda – que deixa a planta verde o tempo todo, impedindo sua maturação, favorecendo a manifestação da ferrugem, muito comum na oleagionosa. Esse problema tem gerado quedas de pelo menos 2% de produtividade.

Essa anomalia é algo antigo que atinge a soja e as hipóteses para o seu surgimento ainda estão sendo estudadas. O nome Soja Louca II foi dado para diferenciar o problema da Soja Louca I, que se trata de um ataque intenso de percevejos.

Segundo a explicação do fitopatologista da Embrapa Soja, Maurício Meyer, “esse problema novo de Soja Louca, que é um abortamento de vagens e flores, faz com que ela fique vegetando o tempo todo e não madure. E tem ocorrido de forma mais intensa nas regiões mais quentes, geralmente no norte do Cerrado brasileiro, como Maranhão, Pará, Tocantins e agora, norte do Mato Grosso”.

Ainda de acordo com Meyer, a aparição dessa anomalia pode se dar por conta de alguns fatores, como o uso de herbicidas/fungicidas/inseticidas, ataque de pragas (ácaros), vírus transmitido por mosca-branca, e também há a questão da temperatura.

“Onde se tem uma boa cobertura com palhada, com matéria orgânica no solo, geralmente, existe um maior número de plantas com esse problema. Áreas onde foi feita uma incorporação dos restos de cultura o problema diminui bastante”, explica o fitopatologista.

Para que essa anomalia não se propague, é preciso que as plantas afetadas sejam eliminadas, seja por meio de uma dissecação química ou mecânica, e as doses de dissecantes devem ser elevadas, pois doses normais não são suficientes para matar essas plantas.

Fonte: Redação N.A. http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias.php?id=62275

17 de Julho de 2009 às 11h26

'Soja louca' compromete lavouras em Santarém

Santarém - Em Santarém, mais de 28 mil metros de área plantada podem ser prejudicados.

O nome não é um tipo diferente de grãos e sim uma praga que atinge a plantação e prejudica a cultura. A soja louca provoca irregularidades no amadurecimento dos grãos, o que deixa muitos pés ainda verdes na época da colheita.

A plantação é um dos setores da economia que estão em alta nos últimos anos. Para se ter um exemplo, o agricultor investe cerca de R$1.200 em hectares de soja plantada e pode colher até o dobro se não tiver nenhum problema, mas a doença tem preocupado. Alguns já chegaram a perder até 80% da safra.

Apesar de a praga estar se alastrando, ainda é pouco conhecida e passa por estudos. Nas plantações afetadas, agrônomos colhem e testam amostras para um possível resultado.

Enquanto um pesticida não é fabricado para combater a doença, o agricultor precisa redobrar os cuidados para não sair no prejuízo.

Foi para tentar se prevenir que Hélio Franco investiu mais para que a plantação chegasse completa ao ponto da colheita.

“Foi feito um trabalho de dessecação um pouco antecipado, o que ajudou bastante, pois os locais que eu dessequei de última hora tiveram problema”, explicou.

É o que aconselha o agrônomo Clóvis Villacorte. Segundo ele a precaução precisa ser severa, o agricultor tem que levar em conta vários fatores, iniciando pela aquisição da semente que precisa ser de boa qualidade.

Com informações de Cissa Loyola

http://notapajos.globo.com/lernoticias.asp?id=27989&tt=%27Soja%20louca%27%20compromete%20lavouras%20em%20Santar%C3%A9m

Não há cura para a doença de soja louca

A doença chamda de "doença da soja louca" no Brasil, vem se espalhando pela região norte, causando perdas de produtividade de até 40 por cento, mais notadamente no estados de Mato Grosso, Tocantins e Goiás. E, assim como a doença da vaca louca, é incurável.

Este é o fiasco mais recente de OGM a emergir desde o relatório sobre a crise no EUA
(
GM crops Facing Meltdown in the USA, SiS 46), China (GM-Spin Meltdown in China, SiS),
e Argentina (Argentina's Roundup Human Tragedy).

Esta doença da soja tem atingido esporadicamente os plantio de soja na quente região norte do Brasil nos últimos anos, mas agora tem se espalhando para as regiões mais temperadas, ao sul do País “com maior prevalência global", segundo um cientista do Departamento de Agricultura dos EUA.

A doença causa atrasos na maturação das plantas infectadas por um tempo indeterminado, a plantas permanecem verdes até apodreceram no campo. As folhas do topo ficam finas, e os caules engrossam e tornam-se deformados. As folhas também escurecem, em comparação com plantas sadias, as vagens, quando formadas, são anormais, com menos grãos.

Os investigadores ainda não encontrarem uma cura para a doença, uma vez que ainda não possuem certeza do que a provoca. A principal suspeita para a propagação da doença são os ácarospretos encontrados na palha, quando a soja é cultivada em sistemas de plantio direto de produção.

Segundo a Rede Global de Informação Agrícola do USDA, o Brasil tem 24 milhões de hectares plantados com soja, 78 por cento dos quais são transgênicas. Além de doença da soja louca, a soja brasileira é simultaneamente afligida pela ferrugem da da soja que apareceu pela primeira vez em 2001-2002. As Associações de produtores estão precionando o governo brasileiro para acelerar a aprovação de mais um fungicida para combater a doença, o que teria implicações significativas de custo. Mas para a doença de soja louca, a cura não está próxima. Mato Grosso, que por si só produz cerca de 30 por cento da colheita de soja no Brasil, está entre os estados que trouxeram a questão da doença da soja louca "para o primeiro plano".

Cientistas americanos identificaram mais de 40 doenças associadas ao glyphosate e culturas tolerantes ao glifosato.

Doenças da soja transgênicas não é mais uma surpresa. cientistas seniores dos Estados Unidos, que têm estudado as culturas glifosato e tolerante ao glifosato GM por décadas, identificou mais de 40 doenças relacionadas ao glifosato, e a lista está crescendo e as culturas tolerantes ao glifosato desempenham um papel central na causa e propagação das doenças, não só para as culturas em si, mas também para outras culturas cultivadas nas proximidades ou plantadas.

Os cientistas alertam para "conseqüências terríveis para a agricultura." Don Huber,cientista aposentado da Universidade de Purdue, disse que o uso generalizado de glifosato nos EUA podem "aumentar significativamente a severidade de várias doenças de plantas, prejudicar a defesa da planta contra patógenos e doenças e imobilizar nutrientes do solos tornando-os indisponíveis para o uso da planta. "

Referências

1. "Brazil battles spread of 'mad soy disease", Agrimoney.com, 5 October 2010, http://www.agrimoney.com/news/brazil-battles-spread-of-mad-soy-disease--2316

2. "Mad soy disease hits Brazil farmers", Kieran Gartlan, DTN Progressive Farmer 19 August 2010, http://bit.ly/ajSdRA

3. Brazil, oilseeds and products update, record soybean planted area forecast for 2010-11 crop. GAIN /report, 9/29/2010, USDA foreign Agricultural Service, Global Agriculture Information Network, http://gain.fas.usda.gov/Recent%20GAIN%20Publications/Oilseeds%20and%20Products%20Update_Brasilia_Brazil_9-29-2010.pdf

4. Ho MW. GM crops facing meltdown in the USA. Science in Society 46

5. Saunders PT and Ho MW. From the Editors: GM spin meltdown in China. Science in Society 47, 2-3, 2010.

6. Robinson C. Argentina's Roundup human tragedy. Science in Society 48 (to appear).

7. Ho MW. Scientists reveal glyphosate poisons crops and soil. GM meltdown continues. Science in Society 47, 10-11, 2010.

8. Ho MW. Glyphosate tolerant crops bring diseases and death. Science in Society 47, 12-15, 2010

Palestras Seminário

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Avaliação do Seminário

Gostaríamos de agradecer a todas as pessoas e instituições que compareceram ao SEMINARIO ESTADUAL SOBRE AGROTOXICOS: SAUDE E AMBIENTE, a todos os palestrante e a comissão organizadora!

Em breve faremos uma reunião do Fórum Permanente de Agroecologia doo Amazonas para avaliarmos o evento e escrevermos uma carta a ser entregue às instituições competentes com as deliberações retiradas no evento!

Esperamos poder contar com a presença de tod@s, principalmente dos que fazem parte deste Fórum!!!

Lembramos que os certificados e a palestra da Devisa serão enviados em breve por e-mail

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

NÍVEIS DE PESTICIDAS NA ÁGUA E NO SOLO E AVALIAÇÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS NA AMAZÔNIA CENTRAL – BRASIL

Estudo realizado por: Paola Souto Campos e Andrea Viviana Waichman


O uso de agrotóxicos resulta em um custo social e ambiental invisível decorrente da contaminação do solo, da água, dos trabalhadores agrícolas e dos consumidores, e de doenças e mortes não registradas nas estatísticas oficiais (Soares & Porto, 2009).

A utilização de pesticidas na agricultura da Amazônia é uma importante fonte de contaminação da água e do solo e esta contaminação põe em risco as atividades que são essenciais para a subsistência dos agricultores e das populações locais e ameaça a sustentabilidade e o funcionamento dos ecossistemas.

Segundo as autoras, até o momento não existem estudos que determinem o risco de exposição ambiental aos agrotóxicos na região amazônica, pois se acredita que o uso de agrotóxicos na região não se constitui em um problema ambiental nem de saúde pública preocupante.

Com isto o objetivo geral deste estudo foi, avaliar o risco do uso de agrotóxico para o ambiente e a saúde humana em áreas agrícolas do município de Manaus, Iranduba e Careiro da Várzea.

Os Resultados mais relevantes e as conclusões foram que:

- Em Iranduba os solos contêm maiores resíduos de parationa metílica (parathion, organofosforado de classe toxicológica I) e malationa (malathion, organofosforado de classe toxicológica III)) representando riscos agudos e crônicos para o ecossistema terrestre. E, em Manaus, os solos tiveram concentrações de todos os agrotóxicos menores que às observadas em Iranduba, com exceção da lambda cialotrina (piretróide de classe toxicológica III).

- Nas amostras de água, a parationa metilica e a malationa foram os agrotóxicos presentes em maiores concentrações e com maior número de amostras que tiveram concentração acima do Valor Máximo Permitido – VMP pela legislação que define os padrões de qualidade d’água, Resolução CONAMA 357/2005. A deltametrina (éster de classe toxicológica III) foi detectada em Iranduba, sendo que neste caso 33,4% das amostras apresentaram concentrações acima do VMP, evidenciando-se uma situação de risco.

- O uso da parationa metílica e a malationa e o grau de contaminação das águas superficiais em Careiro da Várzea, Iranduba e Manaus representam risco crônico para os ecossistemas aquáticos. No caso da deltametrina, o seu uso no município de Iranduba colocam em risco tanto crônico quanto agudo a biota dos sistemas aquáticos.

- No caso da água subterrânea, situação de risco foi evidenciada no município de Manaus para o agrotóxico parationa metílica uma vez que a concentração média determinada ficou acima do valor máximo permitido tanto pela legislação brasileira como pelos valores da União Européia.

De todos os agrotóxicos utilizados, a parationa metílica e a malationa são os que causam maior preocupação em relação à saúde da população e do ambiente. Embora estes agrotóxicos já tenham sido banidos na União Européia, seu uso é amplo e irrestrito no Estado do Amazonas e são considerados pelos agricultores um dos agrotóxicos mais efetivos no controle das pragas. O trabalho evidencia também a necessidade de monitoramento dos agrotóxicos mais utilizados nas regiões, avaliando os níveis com uma maior periodicidade, respeitando a sazonalidade da agricultura e o uso para diferentes culturas. Finalmente sugere-se que esforços sejam feitos pelas autoridades ambientais, de saúde e responsáveis pela produção agrícola para implementar programas de monitoramento e controle do uso de agrotóxicos que garantam um uso adequado destes produtos, para que a produção de alimentos no Estado do Amazonas não coloque em risco a saúde ambiental, dos agricultores e dos consumidores.


Publicado nos anais do I Seminário Internacional de Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, disponível em: http://seminariodoambiente.ufam.edu.br/2010/anais/rn43.pdf

Alimentos contaminados por agrotóxicos no Brasil.

por Silvio Caccia Bava, do Le Monde Diplomatique

O Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo e representa 16% da sua venda mundial. Em 2009, foram vendidas aqui 780 mil toneladas, com um faturamento estimado da ordem de 8 bilhões de dólares. Ao longo dos últimos 10 anos, na esteira do crescimento do agronegócio, esse mercado cresceu 176%, quase quatro vezes mais que a média mundial, e as importações brasileiras desses produtos aumentaram 236% entre 2000 e 2007. As 10 maiores empresas do setor de agrotóxicos do mundo concentram mais de 80% das vendas no país.

Esses produtores viram ameaçadas suas novas metas de faturamento com o anúncio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de que se propõe a reavaliar o uso de 13 produtos agrotóxicos, vários deles já proibidos há anos nos EUA, na União Europeia, e em países como Argentina, Nigéria, Senegal, Mauritânia, entre outros, como o acefato e o endossulfam. Os motivos dessa proibição são evidentes, a contaminação de alimentos, de trabalhadores rurais, e do meio ambiente, causando, literalmente, o envenenamento dos consumidores, a morte de trabalhadores rurais e a destruição da vida animal e vegetal.

Em solicitação ao Ministério Público para a proibição de um desses agrotóxicos – o Tamaron – os então deputados federais Fernando Dantas Ferro, Adão Preto e Miguel Rosseto denunciam que 5 mil trabalhadores rurais morrem, a cada ano, intoxicados por venenos agrícolas, sendo que muitos mais são afetados de maneira grave pela ingestão dos componentes químicos desses produtos.

Frente à disposição da Anvisa de reavaliar produtos como Gramoxone, Paraquat, Tamaron, Mancozeb, Monocrotfos, Folidol, Malation e Decis, o Sindag – Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas – recorreu ao Judiciário, solicitando que não sejam publicados os resultados das reavaliações. Houve mesmo iniciativas no Judiciário que pretendiam proibir os estudos da Anvisa que verificavam a segurança das substâncias de 99 agrotóxicos.

O fato é que o setor ruralista, com o Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes à frente, a bancada ruralista e os fabricantes de agrotóxicos se puseram a campo contra a iniciativa da Anvisa, e mesmo contra a própria Anvisa e o seu papel fiscalizador. Segundo documento obtido pela ABRANDH – Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos, o Ministério da Agricultura quer ser o responsável pela avaliação e registro dos produtos agrotóxicos.

Para Rosany Bochner, especialista em toxicologia da Fiocruz, instituição parceira da Anvisa no trabalho de reavaliação dos agrotóxicos, “o Brasil está virando um grande depósito de porcarias. Os agrotóxicos que as empresas não conseguem vender lá fora, que têm indicativo de problemas, são empurrados para a gente”.1

Em 2002, com o início do funcionamento do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, coordenado pela Anvisa, surgiram informações preocupantes. Das 1.198 amostras recolhidas em nível nacional, 17,28% apresentavam índices de contaminação acima do permitido para se preservar a saúde. O tomate, o morango e a alface são os mais contaminados. Se você come amendoim, batata, brócolis, citros, couve, couve-flor, feijão, melão, pimentão, repolho, entre outros alimentos, cuidado! Eles contêm acefato, um agrotóxico que pode causar danos ao cérebro e ao sistema nervoso e provocar câncer no longo prazo. O acefato é proibido em toda a União Europeia.

Segundo o IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor, “o consumidor brasileiro está exposto a um risco sanitário inaceitável, que exige medidas rigorosas dos órgãos governamentais responsáveis, inclusive com a punição dos infratores”.

Essa denúncia decorre do levantamento e análise da Anvisa, feito de junho de 2001 a junho de 2002, onde nada menos que 81,2% das amostras analisadas (1051 casos) exibiam resíduos de agrotóxicos e 22,17% apresentavam índices que ultrapassavam os limites máximos permitidos.

Atualmente os agrotóxicos estão em reavaliação tanto pela Anvisa, quanto pelos Ministérios da Saúde e Meio Ambiente. E espera-se que até o final do ano seja divulgada uma nova lista dos agrotóxicos que podem continuar sendo vendidos e os que serão banidos do território brasileiro.

Ainda não existe uma ação integrada desses organismos públicos responsáveis por essa tarefa de fiscalização, mas segundo Agenor Álvares, diretor da Anvisa, a integração é algo indispensável, até para enfrentar a proposta do setor ruralista, que é inaceitável.
(Silvio Caccia Bava é editor de Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis)

fonte: site http://www.institutoaf.org.br/2010/04/1204-alimentos-contaminados-por-agrotoxicos-no-brasil/, postado em 12/04/2010

Pesquisa comprova contaminação por agrotóxicos em amostras de ar e água da chuva

Pesquisa comprova contaminação por agrotóxicos em amostras de ar e água da chuva em Mato Grosso, além de sangue e urina de moradores

Na semana do dia 8 de setembro de 2010 o jornal Folha de São Paulo divulgou resultados de uma pesquisa desenvolvida em parceria entre a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), que mediu efeitos do uso de agrotóxicos em Campo Verde e Lucas do Rio Verde (médio-norte de Mato Grosso), dois dos principais municípios produtores de grãos do estado.

Os pesquisadores encontraram resíduos de agrotóxicos no sangue e na urina de moradores, em poços artesianos e amostras de ar e de água da chuva coletadas em escolas públicas.

Segundo informado pela Folha, o monitoramento da água de poços revelou que 32% deles continham resíduos de agrotóxicos, também achados em mais de 40% das amostras de chuvas (!!).

Já 11% das amostras de ar tinham resíduos de tóxicos como o endossulfam.

Este produto está entre os 14 ingredientes ativos que a Anvisa colocou em reavaliação toxicológica em 2008. Em agosto último a Anvisa publicou a resolução que determina a proibição da importação do endossulfam a partir de 2011, a proibição da fabricação em território nacional a partir de 31 de julho de 2012 e a proibição da comercialização e do uso a partir de 31 de julho de 2013. A decisão do banimento faseado se baseou nas evidências de que o agrotóxico pode provocar defeitos congênitos (nascimento de bebês com malformações genéticas), abortos espontâneos, problemas no desenvolvimento, além de problemas neurológicos, imunológicos e hormonais.

O médico Wanderley Pignati, da UFMT e um dos coordenadores da pesquisa, declarou à Folha que a pesquisa agora analisa a correlação entre esses dados e registros de intoxicações, câncer, má-formação fetal e distúrbios neuropsicológicos nos municípios. “Sabemos que a incidência desses problemas é maior onde há o uso intensivo desses produtos”, diz.

Segundo o estudo, no Mato Grosso se despejou na última safra cerca de 105 milhões de litros de agrotóxicos — 11% do total do Brasil. No período, as cidades pesquisadas colheram 2,5 milhões de toneladas de soja e milho — 8% do estimado para o Estado.

Esta não é a primeira vez que dados alarmantes como estes evidenciam a impossibilidade do chamado “uso seguro de agrotóxicos” — que, basicamente, se resume ao uso de EPI (equipamento de proteção individual, aquela roupa parecida com a dos astronautas e que os agricultores relatam ser tão quente e desconfortável que não a suportam por mais que meia hora) e descarte correto de embalagens. O fato é que, mesmo seguindo-se todas as normas de segurança determinadas pela legislação, a contaminação dos solos, da água, dos alimentos e a intoxicação das pessoas expostas aos venenos são inevitáveis.

Somente a agricultura ecológica, que não emprega sementes transgênicas e agrotóxicos, é capaz de garantir a conservação dos recursos naturais e a saúde dos trabalhadores rurais, das populações de regiões de produção agrícola e dos consumidores. Inúmeras experiências e pesquisas evidenciam que os sistemas agroecológicos de produção são capazes de alcançar produtividades maiores do que as médias alcançadas pela agricultura convencional. E sempre com custos mais baixos.

A título de exemplo, vale a pena a leitura do artigo “Lidando com extremos climáticos: análise comparativa entre lavouras convencionais e em transição ecológica no Planalto Norte de Santa Catarina”, publicado pela revista Agriculturas: experiências em agroecologia.

Fonte: Boletim AS-PTA Número 505 – 03 de setembro de 2010

Frutas com nível de agrotóxico acima do permitido em Manaus

16 Ago 2010 . 08:46 h . Tabajara Moreno . portald24am@gmail.com

Os dados fazem parte da avaliação, feita em 2009, da presença de resíduos agrotóxicos entre 17 alimentos populares na mesa dos brasileiros.

[ i ] Anvisa alerta que frutas vendidas nos cruzamentos de trânsito são, na maioria das vezes, reprovadas pelo Ministério da Saúde. Foto: Arlesson Sicsú Anvisa alerta que frutas vendidas nos cruzamentos de trânsito são, na maioria das vezes, reprovadas pelo Ministério da Saúde.

Manaus - O morango, a cenoura, o pimentão e o abacaxi comercializados em Manaus estão com o nível de agrotóxico acima do permitido pelo Ministério da Saúde, segundo análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os dados fazem parte da avaliação, feita em 2009, da presença de resíduos agrotóxicos entre 17 alimentos populares na mesa dos brasileiros. As amostras dos produtos do Amazonas foram colhidas nos supermercados de Manaus por técnicos da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS).

Os resultados confirmaram que o morango ainda é uma das frutas mais contaminadas por agrotóxicos. Das 128 coletadas para análise laboratorial, 50,8% estavam comprometidas com a substância carbendazim (usado para amadurecimento rápido da fruta ou verdura). O limite de consumo humano permitido para o composto é de 0,05 miligrama por quilo (mg/kg), mas foram encontradas na fruta 0,70 mg/kg.

“As frutas vendidas nos sinais de trânsito são ainda mais perigosas para a saúde. Geralmente elas já foram reprovadas pelo Ministério da Saúde e param na informalidade por causa da recusa das redes varejistas”, alerta a fiscal de saúde do Departamento de Vigilância Sanitária (Dvisa), Marilúcia Pessoa.

Rica em Vitamina A, a cenoura é uma das verduras preferidas da população brasileira. Os indicadores nacionais da Anvisa apontam que 24,8% das amostras da verdura analisadas em laboratório estavam comprometidas por substâncias derivadas de agrotóxicos. No Amazonas, a cenoura apresentou alto teor do composto Clorpirifós. O limite máximo permitido para o consumo humano é de 0,01 mg/kg, mas segundo as análises, havia 0,03 mg/kg da substância.

Desde 2008, o pimentão lidera a lista dos mais contaminados por agrotóxicos. Ano passado não foi diferente e 80% das amostras da verdura analisadas em todo o País ultrapassaram o limite máximo de resíduos. No Amazonas, além do pimentão, o abacaxi foi outro alimento que apresentou problemas de contaminação.

Risco à saúde

O consumo de alimentos com resíduos de agrotóxico acima do tolerável, de acordo com o diretor de ensino e pesquisa da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon), Sidney Chalub, gera acúmulo da substância no organismo da pessoa, podendo provocar doenças cardíacas e câncer no aparelho intestinal.

“Acumuladas nas células, essas substâncias induzem à mutação podendo ocasionar câncer ou transferir o problema geneticamente. Tem casos em que a absorção pelo organismo humano, por um longo período, evolui para problemas de cegueira, surdez, além de tremores e alteração na frequência cardíaca”, disse.

Segundo Marilúcia Pessoa, o programa de análise de resíduos agrotóxicos deve incluir, em 2011, o açaí na lista dos alimentos pesquisados. “Queremos conhecer a qualidade dessa fruta amazônica consumida em praticamente todo o País”, disse.

Os alimentos comercializados nas feiras não são incluídos na avaliação de qualidade da Anvisa porque os produtos não possuem rótulos com as informações sobre quem comercializou.

Veneno à nossa mesa: Análise identifica resíduos de herbicida em amostras de ovos

Herbicida pode ter chegado aos ovos através da alimentaçáo dos animais

Estudo recomenda maior orientação no uso de pesticida e medicamento em cultivo agrícola e criação de animais

Pesquisa apresentada na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP identificou resíduos de herbicida em amostras de ovos comercializadas em São Paulo. A substância, possivelmente incorporada por intermédio da alimentação das galinhas, pode contribuir com o aparecimento de doenças crônicas em seres humanos. O estudo recomenda maior orientação aos produtores de alimentos, visando evitar o uso inadequado de pesticidas e medicamentos nos cultivos agrícolas e criações de animais.

A pesquisa buscou resíduos de agrotóxicos existentes nos ovos, por serem alimentos bastante consumidos pela população em geral. “Sabe-se que essa produção utiliza grande quantidade de agrotóxicos, para combater doenças nos animais”, afirma a bióloga Cláudia Ciscato, que realizou a pesquisa. Parte das amostras foi enviada por uma granja e as demais adquiridas no comércio, para simular o consumo do produto e verificar a presença de contaminantes.

Os ovos foram submetidos a análises capazes de identificar de 140 a 150 substâncias tóxicas diferentes, entre organoclorados, organofosforados, carbonatos, pireticidas e alguns tipos de fungicidas e herbicidas. “Durante os testes, detectou-se a presença de herbicida, possivelmente utilizado para combater pragas surgidas no cultivo do alimento fornecido aos animais”, conta. “O mais provável é que o pesticida, ao ser incorporado pela galinha durante a alimentação, tenha se translocado para o ovo.”

Segundo Cláudia, cerca de 80% das amostras alimentos de origem vegetal e animal analisados habitualmente em laboratórios não possuem resíduos de agrotóxicos, ou estes são encontrados em valores abaixo dos tolerados pela legislação. “O restante das amostras, porém, contém produtos que não possuem legislação pertinente, ou seja, são usados de forma indevida pelos produtores para o controle de doenças e pragas, podendo trazer riscos para a saúde humana.”

Riscos
O contaminante encontrado nos ovos não necessariamente irá causar impacto imediato no consumidor, aponta a pesquisadora. “Seria necessário verificar a dieta de quem consome o produto, pois as quantidades encontradas não são suficientes para causar uma intoxicação aguda”, observa. “Entretanto, a longo prazo, há a possibilidade do herbicida contribuir para alguma doença crônica, como alergia, reumatismo, problemas nos sistemas nervoso e reprodutivo, além do aparecimento de tumores.”

De acordo com Cláudia, os maiores riscos de contaminação recaem sobre os próprios animais e as pessoas que aplicam os agrotóxicos. “Em muitos casos, por falta de orientação, os aplicadores não tem ideia da dosagem adequada para aplicação”, alerta. “Também faltam indicações sobre o perigo de adotar produtos inadequados para uso animal, como defensivos agrícolas.”

Para prevenir os riscos de contaminação, a pesquisadora recomenda maior orientação aos produtores de alimentos de origem vegetal e animal. “E necessário que haja monitoramento da parte do governo, para verificar a situação da alimentação e dessa forma, orientar o pessoal do campo, para que haja produção de alimentos com qualidade”, enfatiza.

O trabalho faz parte da tese de doutorado de Cláudia Ciscato, orientada pela professora Elenice Souza Espinosa, do Departamento de Patologia Experimental Comparada da FMVZ. Os testes com as amostras de ovos aconteceram no Laboratório de Resíduos de Pesticidas do Instituto Biológico, vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura de São Paulo. A pesquisa teve apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Reportagem de Júlio Bernardes, da Agência USP de Notícias